CORRIMENTOS

Mulheres em idade fértil apresentam uma secreção fisiológica com aspecto de clara de ovo, e que varia de aspecto de acordo com a fase do ciclo. Essa secreção não deve ser confundida com os corrimentos patológicos, que costumam vir acompanhados de odor forte característico, mudanças na cor, coceira ou ardência vaginal. Esses corrimentos patológicos podem ser de origem bacteriana ou fúngica.

Uma das doenças bacterianas mais comuns que tem como consequência a aparição desse tipo de corrimento é a vaginose bacteriana. Ela é causada por uma bactéria chamada Gardnerella vaginalis e, apesar de não ser uma doença sexualmente transmissível, a transmissão também se dá por meio de relações sexuais. A vaginose bacteriana atua aumentando a concentração de bactérias na região vaginal em decorrência da infecção, e isso causa um desequilíbrio na flora vaginal. N período menstrual, esse odor fica ainda mais intenso, pois o número de bactérias aumenta durante a menstruação.

Os sintomas da vaginose bacteriana podem ser percebidos quando o corrimento possui uma coloração branco-acinzentada e o odor forte e fétido característico desse tipo de infecção. Além disso, pode ocorrer também a aparição de algumas bolhas na região vaginal da mulher e se essa doença não for tratada corretamente, pode desencadear outras doenças mais graves e sérias, como a endometriose e a inflamação das trompas, que também é conhecida pelo nome de salpingite.

Já em relação à origem fúngica, a doença mais comum é a candidíase vaginal. Ela é causada por um fungo chamado Candida albicans, que é normalmente encontrado na flora vaginal em pequenas quantidades. A candidíase ocorre quando há um desequilíbrio na quantidade desses fungos e isso pode acontecer por conta de diversos fatores, como imunidade baixa, e que não necessariamente derivam de relações sexuais, por isso a candidíase também não é considerada uma doença sexualmente transmissível.

O sintoma mais característico da candidíase vaginal é a coceira, mas além dela também há outros sintomas, como o corrimento esbranquiçado, vermelhidão na vagina, algumas escoriações na região da vulva e em casos mais avançados, até algumas úlceras no local. Manter uma grande frequência de relações sexuais sem proteção também pode causar candidíase, uma vez que essa intensidade tende a mexer com o equilíbrio da flora vaginal, principalmente se o seu organismo estiver menos resistente. A candidíase é tão comum que é estimado que 75% das mulheres já teve essa doença pelo menos uma vez.

Como as duas doenças possuem agentes causadores distintos, o tratamento de uma é diferente do tratamento da outra. Para a vaginosa bacteriana, recomenda-se o uso de antibiótico para combater a bactéria. O antibiótico pode ser por via oral ou com cremes vaginais que possuem essa função e são aplicados no local. Já a para a candidíase, o tratamento é feito por meio de antimicóticos de via oral junto com o uso cremes vaginais. Caso você perceba algum desses sintomas, não hesite em procurar o seu ginecologista para uma análise completa da sua situação para saber qual será o tipo de tratamento indicado para você.